Hoje eu me sinto como um cão sem dono,
um abismo que não se vê o fundo,
a fruta abandonada ao chão.
Tudo parece incerto.
Não há flores no jardim,
nem crianças na praça, apenas a relva seca
espera cair o orvalho.
Hoje não há palpitação,
nem batimentos descoordenados,
apenas soluços internos e um profundo silêncio.
Quero gritar, mas não há quem escute.
Quero sorrir, mas graça não há.
Quero sentir a brisa que passa,
mas dentro de mim, apenas ruge um vulcão.
Ainda será possível o encontro das águas?
O desenho das nuvens?
As gotas da chuva?
ou apenas as bruscas e torrenciais quedas d'água?
Não há caminho e,
resposta,
tampouco.
Como um cão que fareja,
busco encontrar o cheiro da sua pegada,
sentir um pedaço da sua presença,
romper todos os estigmas,
revelar todos os enigmas,
descobrir a sua chegada.
Um único som ecoa dentro de mim...
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