Hoje eu me sinto como um cão sem dono,
um abismo que não se vê o fundo,
a fruta abandonada ao chão.
Tudo parece incerto.
Não há flores no jardim,
nem crianças na praça, apenas a relva seca
espera cair o orvalho.
Hoje não há palpitação,
nem batimentos descoordenados,
apenas soluços internos e um profundo silêncio.
Quero gritar, mas não há quem escute.
Quero sorrir, mas graça não há.
Quero sentir a brisa que passa,
mas dentro de mim, apenas ruge um vulcão.
Ainda será possível o encontro das águas?
O desenho das nuvens?
As gotas da chuva?
ou apenas as bruscas e torrenciais quedas d'água?
Não há caminho e,
resposta,
tampouco.
Como um cão que fareja,
busco encontrar o cheiro da sua pegada,
sentir um pedaço da sua presença,
romper todos os estigmas,
revelar todos os enigmas,
descobrir a sua chegada.
Um único som ecoa dentro de mim...
Este blog tem como objetivo incentivar o amor à leitura e à escrita como forma de liberdade. O inquietante universo criado pelas palavras é o que mais me instiga. Poesias, contos, minicontos, assuntos relacionados aos livros, notícias interessantes sobre o mundo das letras serão muito bem-vindas. Aliás, todas as formas de LITERATURA. A proposta é sair por aí escriturando a vida, num movimento de devir sempre desvelado pelo ato de escrever.
sábado, 28 de janeiro de 2012
domingo, 15 de janeiro de 2012
Miniconto
Tudo já se aquietara. Ao lado, confidências que esperam e sonham todos os seres. Será que ainda viria?...circulava-me a cabeça. Não adiantava. Virei e dorrmi.
Algumas explicações
Tenho conversado com algumas pessoas que nunca ouviram falar ou leram sobre miniconto, o máximo que conhecem é um haicai (tipo de poesia japonesa formada por 3 versos num total de 17 sílabas). Daí decidi esclarecer um pouco sobre o que vem a ser um miniconto, publicado aqui, com certa regularidade. Então, lá vai.
Miniconto, conhecido também como microconto ou nanoconto, é uma espécie de produção literária derivada do conto, e tem como características, além do tamanho (muito pequeno), traz em si a capacidade de sugestão (deixa ao leitor a tarefa de preencher as elipses do texto). É associado ao minimalismo, movimento cultural do século XX, que se preocupou em utilizar poucos elementos como forma de expressão, tendo grande influência nas artes visuais, no design, na música e na própria tecnologia, expandiu-se tanto que hoje é considerado uma forma de literatura.
O miniconto ainda não é reconhecido como gênero literário e sua difusão teve maior impacto com a chegada das midias digitais e suas redes, nas quais ampliou-se o número de mensagens eletrônicas divulgadas pelo telefone celular ou apreentadas de forma minimalista no twitter.
Sua principal característica não é mostrar, mas, como dito, sugerir.
Sua principal característica não é mostrar, mas, como dito, sugerir.
Um miniconto é conciso, tem narratividade, pouquíssima descrição, caminhando mesmo para sua ausência, e é considerado um "pedaço da vida". Também nele não há um desfecho claro para a história, já que é o leitor quem tem o papel de imaginar os acontecimentos que a antecederam ou que irão lhe suceder,além disso o personagem nunca é determinado. Em um miniconto tudo dependerá da superinterpretação do leitor. De uma coisa eu sei: é uma delícia fazer. Boa leitura!!!
domingo, 1 de janeiro de 2012
Miniconto
Estávamos ali. Um diante do outro e, entre nós, o alarido do silêncio ensurdecia-nos e nos incapacitava qualquer reação. Aquela espera angustiante mostrava-se, inevitavelmente, prenhe de sentido.
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