sábado, 28 de janeiro de 2012

Pra você

Hoje eu me sinto como um cão sem dono,
um abismo que não se vê o fundo,
a fruta abandonada ao chão.

Tudo parece incerto.

Não há flores no jardim,
nem crianças na praça, apenas a relva seca
espera cair o orvalho.

Hoje não há palpitação,
nem batimentos descoordenados,
apenas soluços internos e um profundo silêncio.

Quero gritar, mas não há quem escute.
Quero sorrir, mas graça não há.
Quero sentir a brisa que passa,
mas dentro de mim, apenas ruge um vulcão.

Ainda será possível o encontro das águas?
O desenho das nuvens?
As gotas da chuva?
ou apenas as bruscas e torrenciais quedas d'água?

Não há caminho e,
resposta,
tampouco.

Como um cão que fareja,
busco encontrar o cheiro da sua pegada,
sentir um pedaço da sua presença,
romper todos os estigmas,
revelar todos os enigmas,
descobrir a sua chegada.

Um único som ecoa dentro de mim...



domingo, 15 de janeiro de 2012

Miniconto

Tudo já se aquietara. Ao lado, confidências que esperam e sonham todos os seres. Será que ainda viria?...circulava-me a cabeça. Não adiantava. Virei e dorrmi.

Algumas explicações

Tenho conversado com algumas pessoas que nunca ouviram falar ou leram sobre miniconto, o máximo que conhecem é um haicai (tipo de poesia japonesa formada por 3 versos num total de 17 sílabas). Daí decidi esclarecer um pouco sobre o que vem a ser um miniconto, publicado aqui, com certa regularidade. Então, lá vai.

Miniconto, conhecido também como microconto ou nanoconto, é uma espécie de produção literária derivada do conto, e tem como características, além do tamanho (muito pequeno), traz em si a capacidade de sugestão (deixa ao leitor a tarefa de preencher as elipses do texto). É associado ao minimalismo, movimento cultural do século XX, que se preocupou em utilizar poucos elementos como forma de expressão, tendo grande influência nas artes visuais, no design, na música e na própria tecnologia, expandiu-se tanto que hoje é considerado uma forma de literatura.

O miniconto ainda não é reconhecido como gênero literário e sua difusão teve maior impacto com a chegada das midias digitais e suas redes, nas quais ampliou-se o número de mensagens eletrônicas divulgadas pelo telefone celular ou apreentadas de forma minimalista no twitter.
Sua principal característica não é mostrar, mas, como dito, sugerir.

 Um miniconto é conciso, tem narratividade, pouquíssima descrição, caminhando mesmo para sua ausência, e é considerado um "pedaço da vida". Também nele não há um desfecho claro para a história, já que é o leitor quem tem o papel de imaginar os acontecimentos que a antecederam ou que irão lhe suceder,além disso o personagem nunca é determinado. Em um miniconto tudo dependerá da superinterpretação do leitor. De uma coisa eu sei: é uma delícia fazer. Boa leitura!!!

domingo, 1 de janeiro de 2012

Miniconto

Estávamos ali. Um diante do outro e, entre nós,  o alarido do silêncio ensurdecia-nos e nos incapacitava qualquer reação. Aquela espera angustiante mostrava-se, inevitavelmente, prenhe de sentido.